Resumo
Objetivo – O objetivo deste estudo é examinar o perfil das seguradoras que optaram por resseguradoras admitidas e eventuais após a promulgação da Lei Complementar nº 126 e o aumento do limite de cessão estabelecido pelo Decreto nº 10.167 e pela Resolução CNSP nº 451. Avalia-se se a nova regulamentação aumentou a proporção de prêmios cedidos para essas resseguradoras e, consequentemente, o risco de crédito das seguradoras, uma vez que essas resseguradoras não estão totalmente sujeitas à supervisão da SUSEP.
Referencial Teórico – O estudo fundamenta-se na base teórica de gestão de riscos e regulação de seguros, com foco no resseguro tanto como ferramenta de mitigação de riscos quanto como fonte de risco de crédito.
Metodologia – Adota-se uma abordagem quantitativa, utilizando dados em painel de 80 seguradoras brasileiras entre 2013 e 2023.
Resultados – Os resultados indicam uma correlação positiva entre o Decreto nº 10.167 e a proporção de prêmios cedidos para resseguradores eventuais. Além disso, observa-se também uma correlação positiva entre a proporção de prêmios cedidos a essas resseguradoras e o capital de risco de crédito das seguradoras.
Implicações Práticas e Sociais da Pesquisa – O estudo oferece evidências empíricas de que o Decreto nº 10.167 pode induzir um aumento no risco de crédito das seguradoras brasileiras, afetando a solvência dessas entidades.
Contribuições – Esta pesquisa contribui para o entendimento de como as mudanças regulatórias moldam as práticas de resseguro e o risco de crédito no Brasil, um mercado caracterizado por uma supervisão distinta entre resseguradoras locais e estrangeiras.
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